domingo, 1 de novembro de 2009

A Origem dos Askenazim

Fé Judaica no Cáucaso: Os Khazares converteram-se em massa ao judaísmo há 1200 anos e contribuíram para o surgimento da religião na Rússia.

Por Clade-Gérard Marcus – Especialista em arte e presidente do Museu de Arte e história do Judaísmo de Paris. Matéria traduzida da L'Arche, e que foi gentilmente cedida pela Revista 18, do centro de Cultura Judaica de São Paulo á publicação História Viva, Grandes Religiões 2 – Judaísmo

De tempos em tempos, a grande imprensa, a imprensa judaica e as editoras de livros dirigem a atenção dsos leitores para a tualidade da questão do Império Khazar, que existiu entre os anos 650 e 1016, a sul da Rússia e no Cáucaso. Esse estado, cuja população se converteu em massa ao judaísmo, teria desempenhado um papel importante no surgimento do judaísmo na Rússia. Em 1976 um livro de Arthur Koestler, intitulado A Décima-terceira Tribo, trouxe essa questão à tona e descreveu a história dos Khazares que, apesar da existência de numerosos documentos, era ainda pouco conhecida e divulgada. Na frança, em 2001, muitas revistas publicaram artigos a respeito dos Khazares, mas foi a publicação de um livro de Marek Halter, Le vent dês Khazars (O vento dos Khazares) que novamente colocou em evidência esta discussão.
Na realidade, o grande passo em direção a um conhecimento mais aprofundado do império Khazar foi dado nos Estados Unidos,em 1999, com a publicação do livro de Kevin Alan Brook intitulado The Jews od Khazaria (Os judeus da khazaria – Editora Janson Aronsos Northvale, Nova Jersey). Este volume de 351 páginas, muito completo, baseia-se em vasta documentação e em múltiplas fontes, hebraicas, tanto russas e árabes. Algumas delas são anteriores ao ano 1000.
Brook defende a tese de que os Khazares pertenciam a uma etnia que ele denomina "túrcica", superando a simples denominação de turca. Ele considera que 650 foi o ano do nascimento de uma entidade política Khazar independente, ou seja, à época do fim da guerra árabe-Khazar, que teve início em 642. Em 651-652, os Khazares venceram essa guerra, estabelecendo sua capital em Balandar. Essa cidade foi destruída durante a segunda guerra árabe-Khazar, e a capital foi instalada, posteriormente, em Samandar, em 723-724, sendo transferida para Atil (ou Itil), às margens do Volga e junto ao mar Cáspio, em 737.

A Conversão ao judaísmo:

Judeus originários do mundo helenênico e meditarrâneo já se encontravam, então, instalados em território Khazar. O rei Bulan converteu-se ao judaísmo, e foi acompanhado pela nobreza e por uma parcela do povo. É essa conversão que faz referência a célebre obra de Yehuda Halevi, o Kuzari.

À época de sua maior expansão, o império khazar estendia-se de Kiev e de Grodnon (Hrodna) até o mar Aral, englobando a Transcaucásia e a Criméia. Em 1016 esse império desabou, com a captura do imperador khazar pelos russos.

Kevin Alan Brook estuda de maneira muito detalhada o funcionamento do Estado Khazar e destaca a diarquia ali existente, já que o poder era dividido entre o Kagan (imperador) e o Bek (rei), uma divisão análoga ao que ocorreu, por séculos a fio no Japão, onde coexistiram o imperador e o xógum. Brook descreve a atividade econômica do mundo khazar, em particular a pesca, a agricultura e o artesanato, bem como o alto nível das transações comerciais internacionais durante o período khazar no que é hoje a Europa do leste.

O autor examina a conversão dos khazares ao judaísmo, depoios que eles sofreram a influência de judeus vindos do mundo helenístico e do mundo islâmico. Ele insiste nos casamentos que se realizaram entre khazares e esses judeus, e que teriam dado origem, segundo ele, a uma síntese entre o mundo judaico e o mundo túrcico. Um capítulo inteiro é dedicado à rede de relações diplomáticas existentes entre os khazares e seus vizinhos, nas quais se vê uma alternância entre laços frágeis e conflitos, notadamente com os bizantinos.

Depois de discutir a queda do império khazar ante os russos e os bizantinos, Kevin Alan Brook insiste, sempre baseando em fontes históricas e arqueológicas, no fato de que os judeus khazares foram os primeiros a se estabelecer nas cidades ucranianas, húngaras e polonesas.

Ele conclui seu livro afirmando que a conversão dos khazares ao judaísmo não foi um fenômeno isolado e deve ser compreendida no contexto de uma corrente de conversões que ocorreram no mundo medieval e da qual participaram, igualmente, beberes,árabes, espanhóis e alemães.Ele demonstra, por fim, que desde o início da Idade Média as comunidades judaicas da Europa oriental existiram de maneira contínua.

Como dito anteriormente, trata-se de um livro que defende uma tese. Brook destaca a contribuição dos khazares ao mundo medieval. Afirma que eles contiveram a conquista árabe do norte do Cáucaso, desempenhando papel semelhante aos dos francos na Europa ocidental. Diz também que eles fundaram a grande cidade de Kiev, onde estabeleceram um centro de comércio mundial, e que desempenharam um papel na migração dos búlgaros, dos magiares para além da região do Volga e até as suas terras atuais, na Bulgária, no Tatarstão, na Baquíria e sobretudo na Hungria.

Influência no Leste europeu

Para Brook, os khazares também influenciaram o início da cultura e do sistema governamental dos magiares, difundiram a tecnologia da fabricação do vidro, que tinham aprendido dos judeus do Oriente Médio, e contibuíram para a etnogênese dos judeus europeus.
Para além dessas informações, o autor também refuta um certo número de afirmativas que dizem respeito aos khazares, e que parecem amplamente aceitas. Dentre essas, demonstra que a noção de que os khazares não produziam a maior parte dos artigos que utilizavam é falsa. Ele rejeita, igualmente, a idéia de que a conversão ao judaísmo tenha ficado limitada aos dirigentes e a certos membros da nobreza. Por fim, considera que os caraítas da Criméia não são descendentes dos khazares, e o que o judaísmo khazar não era caraíta.
No meu entender, as duas conclusões mais importantes de Brook dizem respeito ao papel essencial que os khazares tiveram na origem do judaísmo do leste da Europa, por meio de uma fusão com os judeus do oeste (França, Alemanha, etc.) e à amplitude freqüentemente subestimada das conversões ao judaísmo nos primeiros séculos da era cristã.
As afirmativas do autor, por mais interessantes que sejam, devem ser estudadas e discutidas. Cabe aos historiadores e aos arqueólogos confirmá-las ou negá-las. O grande mérito de Brook foi ter exposto de maneira clara a discussão sobre os khazares. Independentemente da importância que possa ter tido o judaísmo dos khazares, e independentemente da amplitude das conversões no mundo, a cultura e a história dos judeus nasceram na terra de Israel, e ao longo dos séculos gravitaram, sempre, em torno de Jerusalém.

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Leia também!

► O Mistério dos Khazares

► Império Khazar

3 comentários:

Laninha disse...

Os sefaradis são edomitas.
Os asquenazis são gentios.

aaa disse...

A teoria dos Khazares como origem dos ashquenazes já foi desacreditada faz tempo. Não lembro de ver nenhum historiador sério (o que exclui propagandistas como Shlomo Sand e coisas do tipo...) defendendo essa idéia.

Testes genéticos mostraram que judeus (mizrahi/sefaradi/ashquenaze), libaneses e sírios são "genetic brothers".

http://uanews.org/node/3082


Outros testes mostraram que judeus europeus são geneticamente mais próximos de outros judeus (com excessão dos judeus etíopes) do que de outros europeus não judeus.

Laninha disse...

Verdade.

São todos turcos albinos do Caucaso que engrossaram, junto com o gregos, as fileiras do exército de Muhammad. Expansão islamica oriental.

Otomanos e jázaros são turcomanos